Patrono
 
PATRONO
 
 

PEQUENA BIOGRAFIA SOBRE O MAESTRO E COMPOSITOR JORGE PEIXINHO



De seu nome, Jorge Manuel Rosado Peixinho, nasceu no Montijo em 20 de janeiro de 1940.


Da parte de seu pai descende de uma família aldeã e pelo lado da mãe, de uma família algarvia que se fixou na década de trinta na cidade do Montijo. Iniciou-se na música pela mão da sua tia materna, D. Judite Rosado, professora de piano.


Mais tarde, matriculou-se no Conservatório de Lisboa onde concluiu, com distinção, os cursos de composição e de piano, entre 1951 e 1958. Estagiou em Itália, Suíça, Países Baixos e Alemanha. Exerceu a atividade de pianista e professor e com maior projeção, além fronteiras, de compositor.


Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e estudou em Roma na Academia de Santa Cecília com Boris Porena e Goffredo Petrassi, onde obteve, em 1961, o diploma de aperfeiçoamento em composição.


Trabalhou em Veneza e posteriormente como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto da Alta Cultura na Academia de Música Brasileira, juntamente com Pierre Boulez e Kantheinz Stockausen.


Entre 1960/70 participou em concursos internacionais. Em 1965/66 foi professor do Conservatório do Porto. Na primavera de 1970, fundou com alguns músicos portugueses o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa.


Esta ideia surgiu-lhe quando na década de 60 a RTP lhe pediu a realização de um programa com obras suas, tendo aí começado o projeto do grupo.A sua apresentação pública teve lugar no Festival de Sintra desse ano, mantendo certa regularidade nas suas apresentações no país, assim como nas diversas gravações para a RDP e RTP.


Em 1972, fez a sua primeira deslocação ao estrangeiro, participando no Festival de Arte Contemporânea de Royan. Depois de 1974, e ao longo de 26 anos de existência, efetuou concertos em diversos países e continentes integrados em vários festivais.


Este grupo de Música Contemporânea era constituído por alguns dos melhores compositores nacionais, sendo a divulgação de repertório contemporâneo, nomeadamente o de autores portugueses era o seu principal objetivo mas não o único, pois pretendia uma aproximação teórica e prática à problemática da música atual e às suas novas técnicas instrumentais e interpretativas. 


Foi subsidiado pela Secretaria de Estado da Cultura e realizou concertos e sessões de animação musical em várias localidades da província.


Em 1974, Jorge Peixinho foi eleito membro do Conselho Presidencial da Sociedade Internacional de Música Contemporânea. A Câmara Municipal do Montijo, atribuiu-lhe a medalha de ouro em 1991.


Foi professor do Conservatório Nacional de Lisboa e dos cursos de Aperfeiçoamento de Vila do Conde até à data do seu falecimento, em 1995. Entre numerosas e variadas obras destacam-se “Políptico” criada em 1960, “Quatro Estações”, para diversos conjuntos instrumentais, “Harmónicos” para piano, e “Episódio” para quarteto de cordas.


Mereceu especial destaque a sua última obra “Mediterrânea”, estreada pelo Grupo de Música Contemporânea nos décimos sextos “Encontros Gulbenkian de Música”, realizados em Lisboa.



TESTEMUNHOS·


As considerações que se seguem, tiveram como ponto de partida os testemunhos de Rui Vieira Nery, ex-secretário de Estado da Cultura, de Jacinta Ricardo, ex-presidente da Câmara Municipal do Montijo, de Clotilde Rosa, directora do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e, por último, de Paula Dias, professora do ensino preparatório e antiga aluna do Maestro Jorge Peixinho.


Seria mais fácil transcrever as palavras das pessoas mencionadas em epígrafe. No entanto, assumindo o risco de sermos redutores, preferimos definir a vida e obra do Jorge Peixinho através de quatro palavras que identificámos como marcantes.



DEDICAÇÃO – Jorge Peixinho sempre demonstrou uma dedicação à música e ao seu enriquecimento cultural. Sendo um obstinado pelo trabalho, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, na Holanda, não perdia um concerto, um ensaio ou uma conferência. Tudo lhe servia de pretexto para se enriquecer profissional e culturalmente. 

GENIALIDADE – A palavra génio é sempre pronunciada por todos aqueles que com ele de perto privaram. A sua música – que maioritariamente saía do seu intelecto criador, não tendo raízes noutros géneros ou compositores – prova-o cabalmente. Pessoa extremamente afável, Jorge Peixinho manifestava, por vezes, um traço comum a todos os génios: a dificuldade de se conseguir chegar até ele, de o compreender, de lhe conseguir seguir as suas ideias.


VERTICALIDADE – Apesar do único cargo político que desempenhou ter sido o de Presidente da Assembleia Municipal do Montijo, não tanto pelos benefícios políticos mas pelo amor à terra que o viu nascer, Jorge Peixinho foi um combatente pela liberdade. A sua postura acarretou-lhe prejuízos profissionais, no entanto, a sua verticalidade e postura como Homem foram sempre mais fortes, não abdicando nunca das suas convicções políticas.


INCOMPREENSÃO – Jorge Peixinho foi um incompreendido, porque marcou uma rutura com a vida musical dominada pelas instituições oficiais. E quantos artistas não se perderam pelo servilismo a essas mesmas instituições? Incompreendido também pelo corte profundo com as referências estilísticas enraizadas, como seja a música nacionalista, de base folclorizante. Também a desconfiança para com todas as novas tendências, que na sua opinião não eram mais do que cedências aos gostos do mercado, agudizou essa incompreensão. Finalmente, a falta de cultura musical que grande parte da população portuguesa manifesta, também terá contribuído para esse distanciamento em relação à obra de Peixinho. É opinião comum, que a sua música estava avançada para a época e não era acessível à maioria da população.


Para finalizar, gostaríamos de lamentar o fato de, como acontece bastas vezes no nosso país, Jorge Peixinho não ter tido a oportunidade de revelar o seu talento, no nosso país.


Não fora a Fundação Calouste Gulbenkian, ter-se-ia perdido, irremediavelmente uma vasta obra que demonstrou indiscutível talento. Este, foi-lhe reconhecido, primeiramente, no estrangeiro, o que também não é caso singular da vida cultural portuguesa.·
Não estranharemos, que a sua morte lhe traga o reconhecimento merecido. Isto só será possível, se aqueles que conhecem a sua obra, se empenharem na divulgação da mesma. 

Atualmente, o símbolo da nossa escola inspira-se na figura do seu patrono.


 Apresentação em Powerpoint sobre Jorge Peixinho (14.490 kb)

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

























 


 
   
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